
(...)Maria Betânia
Tu és para mim
A senhora do engenho
Em sonhos te vejo
Maria Betânia és tudo que eu tenho
Quanta tristeza sinto no peito
Só em pensar
Que o meu sonho está desfeito (...)
Trecho de Maria Betânia de: Capiba (Lourenço Fonseca Barbosa).
Em tempos de crise da indústria fonográfica, onde os Cds ao vivo são a tábua de salvação, parece delírio para muitos uma cantora dita tradicional lançar um disco de estúdio com músicas inéditas. Dois então nem se fala.
Quem conhece a Mpb sabe que estou falando de Maria Bethânia. Sim, ela está de novo com dois discos quentinhos e cheios de interpretações deslumbrantes. Três anos após o projeto “Dentro do mar tem rio”, que incluía os títulos: “Pirata” e “Mar de Sophia”.
Os discos lançados por Bethânia agora são: “Encanteria” e “Tua”. Estão belíssimos, pode apostar.
Mas meu objetivo é voltar no tempo e falar como Maria Bethânia chegou até aqui.
Em 2001 ela lançou pela então BMG (Hoje Sony/BMG) “Maricotinha”. As vendas consideradas fracas fizeram com que a cantora recebesse o comunicado de que seu contrato não seria renovado. Segundo a alta cúpula da Gravadora, Bethânia era boa de música, mas ruim de vendas.
“Promessa” cumprida, a irmã de Caetano Veloso, se transferiu para a desconhecida gravadora Biscoito Fino de propriedade de Olívia Hime e Kati Almeida Braga. O disco de estréia, lançado em 2002, foi curiosamente “Maricotinha ao Vivo”, ou seja, o show do disco que “colocou a cabeça de Betahnia a premio”.
O nome era parecido, mas a recepção do público foi surpreendente e “Maricotinha ao Vivo”, não só vendeu muito bem como ganhou o disco de ouro, na época concedido aos artistas que vendessem 100 mil cópias de um Cd.
No ano seguinte novo disco e novo sucesso e dessa vez com “Cânticos, preces, súplicas à Senhora dos Jardins do Céu”, trabalho de cunho religioso, gravado três anos antes e que estava guardado em uma gaveta qualquer.
Sobre esse tipo de trabalho a cantora disse certa vez: Se eu oferecesse esse tipo de disco para uma multinacional, eu seria internada em um hospício.”- disse Bethania no lançamento de “Brasileirinho”, também de 2003 e que obteve o mesmo exito dos antecessores.
Esses são apenas alguns exemplos de que musica de bom gosto vende sim.
E sem necessidade de apelação. Viva Bethânia..

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