
Quando morreu no inicio de 1982, Elis Regina estava em meio a um processo de escolha de repertório de um disco que lançaria naquele ano. Seria o primeiro pela SOM LIVRE, embora ela se encontrasse desiludida com as gravadoras.
A única canção que ela afirmou que gravaria era “Nos Bailes da Vida” de Milton Nascimento e Fernando Brant. Com certeza fica linda.
Para o seu lugar então foi aproveitada uma fita com a gravação de um show da ultima turnê de Elis. Assim nasceu “Trem Azul”, um registro emocionante que deixa com água na boca quem nunca teve oportunidade de presenciar uma das maiores interpretes brasileiras ao vivo.
O disco começa com um lindo poema em cujo final Elis recita: “Agora eu sou uma estrela”. Em seguida o público é brindado com “Aprendendo a Jogar” de Guilherme Arantes, sucesso retumbante do disco “Elis” de 1980 no qual o show é baseado. “Alô Alô Marciano” de Rita Lee e Roberto de Carvalho é a canção seguinte. Mais uma interpretação arrebatadora tanto quanto a original. A apresentação segue uma boa dinâmica em um desfile de belas canções entremeadas com um “pode cantar” solto pela cantora entre uma música e outra.
O último registro em estúdio de Elis Regina foi “Me Deixas Louca”, numa gravação especial para a novela “Brilhante” de Gilberto Braga. Foi após a interpretação dessa canção que a cantora praticamente dessacralizou-se, ou seja, mostrou uma Elis amiga, humana, mais próxima do público ao apresentar os músicos num irretocável bom humor.
Em “Trem Azul” é possível, ainda, ouvir a versão da cantora para músicas que não constam em sua discografia oficial. Desde a bem humorada adaptação acariocada para “Menino do Rio”, passando pelo romantismo de “Amante a moda Antiga” e “Começar de Novo”, até a voz de neném em “Lança Perfume”.
Pode parecer clichê, mas é impossível não se emocionar com este belíssimo registro daquela que não só agora, mas sempre foi uma estrela. A nossa estrela.